07/06/2017 / Em: Artigos

 

Richard Simonetti – richardsimonetti@uol.com.br

Conta Jesus (Lucas, 12:16-21) que a seara de um homem rico produziu muitos frutos, tantos que não tinha onde guardar. Resolveu, então, derrubar velhos celeiros e construir novos, bem maiores, e ali recolheria o seu tesouro. Depois diria à sua alma:

– Tens em depósito muitas riquezas para muitos anos. Descansa, come, bebe e folga.

Mas Deus lhe disse:

– Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado para quem será?

Comenta Jesus: – Assim acontece com aquele que é rico diante dos homens, porém não rico diante de Deus.

Certamente aquele homem rico, como todo judeu, frequentava a sinagoga, pagava o dízimo, jejuava, efetuava sacrifícios no templo, observava o sábado.

E, como todo ser humano, empenhava-se em melhorar suas condições materiais, com mais riquezas, mais propriedades, mais dinheiro, garantindo velhice confortável.

Faltou-lhe o detalhe fundamental: preparar seu futuro como Espírito imortal.

Só há uma certeza na vida – a morte. Todos morreremos um dia. Só há uma certeza na morte – nada levaremos. Caixão, como se costuma dizer, não tem gavetas. Tudo permanecerá aqui.

Ficarão bens, propriedades, riquezas, joias, dinheiro… Até mesmo um mísero alfinete será confiscado na rigorosa alfândega do Além. E também fama, poder, prestígio, títulos…

Importante jamais esquecer que mais cedo ou mais tarde, amanhã ou dentro de algumas décadas, bateremos as botas, retornando ao mundo espiritual, à pátria verdadeira, ao nosso lar.

Manda a prudência e o bom-senso que tenhamos sempre um pé atrás, isto é, que estejamos atentos, que cogitemos da grande transição, evitando surpresas desagradáveis.

Nesse aspecto, o primeiro passo, o mais importante, está em definir a finalidade da existência humana.

Diz o ateu: – Estamos aqui por acidente biológico. Não há passado nem futuro. Tudo termina na sepultura.

Diz o evangélico: – Estamos aqui para encontrar Jesus. Não há o passado, apenas o futuro no paraíso, se estivermos com o Senhor.

Diz o espírita: – Estamos aqui para pagar dívidas com o sofrimento. O passado é negro, o futuro será de bênçãos se formos bem comportados.

São ideias equivocadas. A finalidade precípua, fundamental, da jornada terrestre é nossa evolução, com o desenvolvimento de nossas potencialidades criadoras como filhos de Deus.

A evolução ocorre quando nos empenhamos em conquistar valores intelectuais e morais, construindo um patrimônio que nos permita o acesso às moradas dos bem-aventurados.

A propósito, há esclarecedor diálogo de um turista brasileiro com famoso mestre egípcio que visitou na cidade do Cairo. Ficou surpreso ao ver que ele morava num único e singelo cômodo. O mobiliário consistia de rústica mesa e pequena banqueta. A partir dali houve breve e significativo diálogo:

O turista: – Onde estão seus móveis?

O sábio: – Onde estão os seus?

O turista: – Estou de passagem pelo Cairo.

O sábio: – Estou de passagem pela Terra.

Importante preparar não apenas um mobiliário, mas também um lar no Além, a fim de não nos situarmos como um sem-teto, compondo a imensa população de rua em regiões purgatórias.

Memento mori!

Traduzindo: Lembre-se de que você vai morrer!

Cuidado com as preocupações exageradas relativas aos celeiros da Terra. Imperioso cuidar dos investimentos para o Céu, buscando aqueles tesouros que as traças e a ferrugem não corroem nem os ladrões roubam, como ensinava Jesus!