07/06/2017 / Em: Artigos

 

Maria Dolores

  

Sinto-te o coração dorido em prece

E perguntas, em pranto, alma querida e boa:

– “Como guardar a fé, sem que a prova nos doa

Nos recessos do ser?

Uma norma de paz haverá sobre a Terra

Que consiga sanar as chagas da alma triste?”

Sem pretensão, respondo que ela existe:

– Trabalhar e esquecer!…

A própria Natureza é um livro aberto;

Recorda o tronco antigo e a tempestade.

Desçam raios do céu, a nuvem brade,

Sob a crise da noite a estremecer,

Ei-lo, porém, ereto e firme, aguentando a tormenta…

Quebra-se-lhe quase toda a ramaria,

Ele guarda, no entanto, as instruções da vida:

– Trabalhar e esquecer!…

Vejo a terra humilhada na lavoura.

Ferida e massacrada,

Ao peso do trator e entre golpes de enxada,

Tem nos vulcões rugindo o seu bravo gemer…

Mas, mesmo assim, produz o pão do mundo.

Injuriada e revolvida,

Atende a ordenação que recebe da vida:

– Trabalhar e esquecer!…

O fio d’água que nasceu na serra,

Pouco a pouco se fez amplo regato,

Percorrendo quilômetros de mato,

A correr e a correr…

Dessedentando pombos e serpentes,

Sofre a baba do lobo que o domina

E segue para o mar, ante a norma divina:

– Trabalhar e esquecer!…

Assim também, alma querida e boa,

Se carregas contigo farpas de amargura,

Desencanto, tristeza, desventura,

Chora, mas faze o bem – nosso alto dever…

Quanto às pedras e empeços do caminho,

Desengano e aflição, mágoa e mudança,

Olvida!… E segue as vozes da esperança:

– Trabalhar e esquecer!…

 

Do livro Assembleia de Luz, obra mediúnica psicografada pelo médium Francisco Cândido Xavier