24/05/2018 / Em: Artigos

 

Perguntam-me por que não há no Centro Espírita ritos e rezas, ofícios e oficiantes, imagens e estampas que caracterizam o culto religioso nos templos e igrejas.

Ocorre que a proposta do Espiritismo é diferente.

O Centro Espírita é, sobretudo, a escola de Espiritualidade, onde aprendemos que o culto a Deus é assunto eminentemente pessoal, entre nós e o Criador.

Elegendo intermediários estaremos transferindo para outrem o que nos compete.

Se os noivos desejam as bênçãos divinas para seu casamento, ninguém melhor que eles próprios para fazê-lo. Reúnam- se em círculo íntimo de familiares e amigos e evoquem as bênçãos do Céu. Falem das suas aspirações na vida a dois, do amor que os une, da proposta de um lar enriquecido por filhos, sustentado por valores legítimos de carinho, respeito, compreensão, fidelidade, dedicação ao bem…

Ao nascer o filho, ninguém melhor para evocar as bênçãos divinas do que os pais, na intimidade do lar, agradecendo a Deus pelo Espírito que lhes foi confiado, propondo-se a orientá-lo nos caminhos da vida, com carinho e a força do exemplo.

Se falece o familiar, ninguém melhor do que seus entes queridos para elevar o pensamento a Deus, buscando serenidade para eles e amparo para o companheiro que retornou à Pátria Espiritual.

Quando terceirizamos essas ações, transferindo-as para alguém ou algum ritual, perde-se em grande parte a emoção que dá significado e intensidade ao culto religioso e favorece a comunhão legítima.

Certamente, quando nos dirigimos a Jesus, em oração, não iremos nem conseguiremos, fazer branco na tela mental. Podemos, intimamente, formar um cenário.

Por exemplo: situemo-nos à beira de um lago de águas tranquilas, em pleno crepúsculo, estrelas brilhando no lampadário celeste, brisa suave…

Imaginemos Jesus a aproximar-se.

A maneira como iremos visualizá-lo na tela mental há de variar de acordo com nossa concepção, nossa maneira de ser.

Se você me permite, caro leitor, sugiro postura semelhante ao que ocorre na Igreja Santo Egídio, em Roma, onde há uma comunidade de pessoas dispostas a trabalhar com Jesus.

Dedicam suas vidas ao esforço em favor dos carentes.

Nela há extraordinária imagem do Cristo.

Um Cristo diferente…

Um Cristo sem braços!

Simbolismo perfeito.

Significa que Jesus confia em nós para realizar sua obra de redenção da Humanidade.

Imperioso sejamos os braços e as mãos de Jesus.

O Mestre é a luz que ilumina o mundo. Compete-nos conduzir o luzeiro celeste aos carentes, trabalhando no campo da solidariedade.

Sem os cristãos de boa vontade, dispostos a arregaçar as mangas, para servir em nome do Cristo, como seus braços e mãos em ação, jamais o Evangelho se estenderá sobre o mundo. Por isso Jesus dizia que a Seara é grande e os trabalhadores são poucos.

Quando estivermos distraídos das finalidades da existência humana, mergulhados no imediatismo terrestre, um marca-passo na jornada evolutiva, detenhamo-nos por instantes.

Coloquemos em nossa tela mental a figura do Cristo sem braços, esperando por nós, e haveremos de vencer a comprometedora inércia para fazermos das nossas as mãos do Mestre, a distribuir bênçãos ao redor de nossos passos.

Servir em nome de Jesus será sempre a postura ideal, o melhor culto, a melhor reverência para a comunhão autêntica com a Espiritualidade, em condições ideais para recebermos as bênçãos de Deus.

Revista O Reformador – Edição Novembro de 2017

Federação Espírita Brasileira