27/05/2018 / Em: Mensagens

 

Irmão Saulo

 

Todos os jovens precisam do amparo dos pais, embora na adolescência, em geral, a rebeldia dos filhos seja inevitável.  Uma tradição de severidade paterna, pautada pelo autoritarismo político e religioso, deu aos pais o conceito errôneo de que devem sujeitar os filhos – e particularmente os jovens – aos seus princípios e maneira de ser.  Mas os jovens trazem a sua própria personalidade e o seu próprio roteiro de vida, e justamente nessa face da adolescência estão firmando o seu eu diante do mundo.

É conhecido o problema da “crise da adolescência”, sobre o qual Maurice Debesse escreveu um dos seus livros mais belos e profundos.  Mas é em René Hubert, no capítulo sobre a Psicologia da Juventude, de sua “Pedagogia Geral”, que encontramos maior sintonia com os princípios espíritas.

Psicólogos e Pedagogos conhecem bem esse problema que responde pelo chamado “conflito de gerações”. Emmanuel nos dá a sua chave ao lembrar que cada espírito já traz para a Terra a sua prova e o seu roteiro de serviço, escolhidos livremente na vida espiritual segundo as suas necessidades de evolução e aprimoramento.

O amparo dos pais não pode ser dado por meio de imposição e autoritarismo, sob pena de deixar de ser amparo para se transformar em tirania.

Se o “conflito de gerações” sempre existiu no mundo, agora se mostra mais violento porque o tempo da tirania está no fim e porque a era de transição em que vivemos acentua nos jovens os anseios do futuro.  Os pais só poderão ampará-los se tiverem amor suficiente para compreendê-los e ajudá-los sem exigências.  Está é também uma hora de aprendizado para os pais.  E só o amor verdadeiro pelos filhos pode socorrê-los.

O jovem de hoje é o homem de amanhã.  Os tempos mudam e não podemos querer sujeitá-los ao nosso modelo.  Qualquer coação paterna só poderá afastá-los de casa e da família, lançando-os a meios e companhias perigosos.  A verdadeira educação é o equilíbrio entre o amor e a compreensão.  A energia paterna e a disciplina filial brotam naturalmente entre essas duas margens, fluindo como as águas de uma fonte na paisagem da vida.

 

Do livro “Na Era do Espírito”, Emmanuel, Francisco C. Xavier e Herculano Pires, Espíritos Diversos)